RESILIÊNCIA, QUALIDADE DE VIDA E EQUILÍBRIO EMOCIONAL NO TRÂNSITO

sexta-feira, 2 de maio de 2008 Karine Winter



Como manter a qualidade de vida e o equilíbrio emocional em nosso dia a dia e principalmente no trânsito com tanto corre-corre, com o número de veículos aumentando a cada dia, com um transporte público de qualidade inadequada, com tantos gases poluentes sendo emitidos na atmosfera, com tanta poluição sonora e com tantos companheiros de trânsito intolerantes, impacientes e por muitas vezes mal-educados? A resposta não é tão difícil. Na verdade, é simples: treinando nossa capacidade de desenvolver a resiliência. O termo vem da física e significa a capacidade humana de superar tudo, tirando proveito dos sofrimentos, inerentes às dificuldades. O condutor ou o pedestre resiliente é aquele que se recupera e molda-se a cada "obstáculo” ou situação que enfrenta quando está transitando, seja como pedestre, como motorista, como ciclista, caroneiro, etc.
Para Dr. Alberto D'Auria, médico e superintende de Saúde Ocupacional do Hospital e Maternidade São Luiz: “O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de um prédio, se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças, lesões, estresses, fobias, traumas ou medos, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite, a síndrome do pânico, incluindo ainda problemas como: doenças intestinais, hipertensão arterial, tensão muscular, dores de cabeça, etc.”
Quem nunca saiu de casa e ao circular no trânsito sentiu aquele famoso
”aperto no peito” ou aquela sensação de que “vai explodir”, de que sua paciência está literalmente “no limite”?
Provavelmente todos nós em algum momento já vivenciamos estas experiências. O que fazer em situações como estas, já que no trânsito, estamos compartilhando um espaço que é público e democrático? Onde circulam pessoas de todas as idades, credos, raças, sexo, condições econômicas, sociais e culturais?
Além do RESPEITO que é fator fundamental e incontestável é necessário que saibamos desenvolver a resiliência para conseguirmos ultrapassar estes obstáculos ou problemas com "ganhos", nas diferentes fases de nossa vida.
O indivíduo que possui resiliência desenvolve a capacidade de recuperar-se e moldar-se novamente a cada obstáculo, a cada desafio. Se transportarmos este raciocínio para o dia-a-dia, poderemos observar que quanto mais resiliente for o indivíduo no trânsito, quanto maior for seu nível de respeito, de tolerância, de paciência, seu espírito de colaboração, sua capacidade de entendimento e compreensão, menos doenças, menos perdas, menos estresse e mais qualidade de vida será possível alcançar.
Um indivíduo submetido a situações de estresse e que sabe vencer sem lesões severas (rachaduras) é um resiliente.
Já aquele que não possui resiliência é o chamado "homem de vidro", que se "quebra" ao ser submetido às pressões e situações estressantes que vivenciamos também no trânsito. A idéia de resiliência pode ser comparada às modificações da forma de um balão de aniversário parcialmente inflado. Se comprimido, adquire as formas mais diversas. Mas, sempre retorna ao seu estado inicial, após as pressões exercidas sobre o mesmo.
A resiliência consiste no equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, além do aprendizado obtido com obstáculos (situações enfrentadas no dia a dia do trânsito, como os congestionamentos, por exemplo). Traduzindo em outras palavras, é atingir outro nível de consciência. De acordo com Ceres Araújo, psicóloga especializada em psicoterapia: “Podem ser descritas várias características das pessoas que possuem maior capacidade para resiliência: inteligência, capacidade de reflexão, possibilidade de independência, capacidade de relacionamento, capacidade de iniciativa, humor, criatividade, noção interna de ética, dentre outras.” Estes fatores são bastante importantes
para quem busca uma melhor qualidade de vida e que está disposto a ter uma convivência mais pacífica e educada no trânsito. PENSE NISSO!




Autoria de: Karine Winter