A CRIANÇA NO TRÂNSITO E NA RUA

sexta-feira, 2 de maio de 2008 Karine Winter



Você já parou para pensar quais são as dificuldades enfrentadas por uma criança ao circular sozinha no trânsito? Se você pensa que uma criança reage como nós adultos, no trânsito, você se engana. Se você pensa que ela vê e entende tão bem quanto os adultos as questões relacionadas ao trânsito, como por exemplo a distância entre ela e os veículos, você se engana. Situações como esta, devem ser levadas em consideração pois podem ocasionar graves acidentes.

A VISÃO - UMA CRIANÇA NÃO VÊ COMO OS ADULTOS. Seu campo visual é estreito: ela só vê o que está diante dela como se usasse uma “bitola”. Por causa da sua estatura baixa, ela não vê o que está acima dos automóveis estacionados, não sendo também vista pelos automobilistas. Ela só vê por contrastes: precisa de cerca de 4 segundos para distinguir se um carro está em movimento ou parado. A criança confunde “tamanho” e “distância”. Um automóvel lhe parece mais longe que um caminhão e ela confunde também o “ver” e ser “visto”;

A AUDIÇÃO - UMA CRIANÇA NÃO ENTENDE COMO OS ADULTOS. Ela não detecta bem de onde vêm os sons. O barulho das vias a tornam distraída e só entende os ruídos que a interessam.

A RELAÇÃO CAUSA – EFEITO. A criança não compreende bem a relação entre causa e efeito. Assim, ela não pensa na “distância de frenagem” de um veículo. Ela acredita que um automóvel pára instantaneamente, após o condutor por o pé no freio. Uma criança não é capaz de avaliar corretamente a distância, o tempo e a velocidade. Ela não sabe pensar e reagir a várias coisas ao mesmo tempo, é difícil para ela observar ao mesmo tempo, a faixa de pedestre, o sinaleiro para pedestre e os carros. Uma criança procura primeiro satisfazer suas próprias necessidades. Para ela, brincar, se locomover, estar na hora certa na escola ou em casa, encontrar seus pais do outro lado da rua, ou jogar bola é mais importante que observar o trânsito. Para fazer o que interessa, a criança é capaz de se jogar contra um carro que lhe atravessar o caminho, mesmo que ela o tenha visto

A MORTE. Para uma criança a morte é apenas um jogo. Ela brinca sempre de estar morta, depois se levanta e é de novo vivente. A criança, portanto não tem medo de morrer, mas receia que os adultos a xinguem se ela obrigar os carros a frear.

A SEGURANÇA. A criança tem sempre a impressão de estar segura. Por exemplo: ela pensa que nada pode lhe acontecer se os pais ou adultos estiverem por perto ou se ela está perto de sua casa ou de sua escola.

AS FALSAS “IMAGENS” DA CRIANÇA. Os objetivos não têm para ela o mesmo significado que para os adultos. A rua é vista como um espaço para brincar sem controle dos pais. Ela tem confiança no automóvel, porque ele parece um ser humano (faróis=olhos....). A passagem de pedestre (faixa de segurança) para a criança tem o significado de “Estar Protegida”. Na sua mente, é um lugar onde nada pode lhe acontecer.

A IMITAÇÃO. Ela pensa que se os outros atravessam a rua, ela também pode, sem se dar conta de que em alguns segundo a situação muda. Se elas se dão as mãos, se comportam mutuamente na idéia de ausência de perigo. A medida que a criança cresce, ela aprende. Podemos ajudá-la, devemos ajudá-la, mas é preciso, sobretudo esperar que ela cresça para que seja adulta. Até os 12 anos ela tem dificuldades em se virar sozinha no trânsito.

DICAS PARA OS PAIS E EDUCADORES
· Ensinem a criança a atravessar a rua devagar (ela tende a atravessar correndo)
· Ensinem na rua (não adianta ensinar em outro lugar que não seja o local onde ela irá vivenciar a realidade do dia a dia.)
· Ao sair com uma criança na rua, nunca segure-a pela mão. Como suas mãos são pequenas, facilmente elas podem se soltar. Segure-a sempre pelo pulso.
· Nós, adultos, circulando no trânsito, a pé, de bicicleta, de moto ou de carro, temos a obrigação de mostrarmos nosso exemplo.
PENSE NISSO!

Referência: Estudos Avançados em Trânsito e Transporte. Autores: Msc Isis Dias Vieira, Msc Maria Solange Felix Pereira e Dr Reinier J. A. Rozestraten, UCDB - Universidade Católica Dom Bosco.



Autoria de: Karine Winter