CRIANÇAS SÃO ATUAIS PEDESTRES, MAS NEM SEMPRE FUTUROS MOTORISTAS

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 Karine Winter


Assessoria de Imprensa Perkons

Estado e sociedade ainda cometem deslizes na difícil tarefa de avançar nas ações de educação para o trânsito.

Ronan Pierote, com Juliana Hasse



Elas não têm carteira de habilitação, estão longe de completar 18 anos e muitas sequer serão condutoras no futuro. Mesmo assim, crianças são alvos frequentes de campanhas de conscientização de trânsito no Brasil. O argumento é de que os pequenos repassariam os conceitos aprendidos aos pais. Para discutir o assunto, a Perkons ouviu uma especialista em trânsito que lida diariamente com a questão envolvendo crianças.  “Com certeza as crianças podem ser excelentes multiplicadores do tema trânsito. Mas não pode ser atribuído a elas o peso de serem agentes fiscalizadores, ou seja, que tenham a incumbência de ficar ‘de olhos atentos’ nas atitudes erradas e equivocadas dos adultos, para chamarem a atenção dos mesmos”, defende Karine Winter, coordenadora de educação para o trânsito do FUNTRAM (Fundo Municipal de Trânsito/Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú). Segundo Karine, que também é especialista em Gestão e Segurança de Trânsito, não se pode transferir a responsabilidade de efetivar ações que gerem exemplos positivos por meio de atitudes corretas, que é dos adultos, aos menores. “Acredito que é possível atingirmos as crianças de forma eficaz, sim, principalmente por meio de ações lúdicas. Porém, desde que sejam motivadas e que os adultos sejam exemplo e sirvam de referência para elas”, explica. Embora avalie que a educação para o trânsito no Brasil passou por avanços consideráveis nos últimos anos, Karine pontua que ainda assim, “é urgente e notória a necessidade de um novo paradigma e de um olhar mais atento para rever alguns conceitos”. O que se vê, muitas vezes, é a tentativa de educar as crianças para que sejam futuros bons motoristas. “Por diversos fatores (culturais, sociais e econômicos), muitas crianças jamais virão a ser condutores. No entanto, todas elas são pedestres e agentes do trânsito e convivem e compartilham do espaço público”, revela.



Crianças como protagonistas 


Este ano, às vésperas do Dia das Crianças, o Ministério das Cidades lançou a campanha intitulada “Paradinha”, cujas protagonistas são as crianças. A proposta é que elas chamem a atenção dos adultos a não consumir bebidas alcoólicas ao dirigir, assim como não falar ao celular e andar em alta velocidade. Por fazer parte de uma campanha maior – do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes – a Paradinha (Campanha Nacional para a Prevenção de Acidentes com Crianças no Trânsito) tem caráter complementar, o que é um ponto positivo, na opinião de Karine. “Percebo atualmente que, mesmo a passos lentos, a educação para o trânsito está sendo direcionada para a construção de valores, para a formação de cidadãos mais éticos e conscientes de seus direitos e deveres, ou seja, para a formação de cidadãos mais preparados para o exercício pleno da cidadania e para o convívio em sociedade”, observa. Nesse sentido, faz-se extremamente importante que a educação para o trânsito seja constante, e não apenas alvo de campanhas esporádicas. “Acredito que campanhas educativas com curto período de duração inviabilizam o desenvolvimento de um trabalho sistemático e contínuo de conscientização em relação a um trânsito mais seguro”, ressalta a especialista em Gestão e Segurança de Trânsito, acrescentando que “não se pode negar que elas constituem um excelente recurso para atingir o objetivo de um trânsito mais humanizado e com menos acidentes, mas não são as únicas ferramentas para isso”.



Balneário Camboriú/SC


Por meio do órgão em que atua, o FUNTRAM, Karine explica o trabalho desenvolvido em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Lá, a população participa de palestras, cursos, teatro de fantoches e atividades no Espaço Vivencial de Trânsito. No local as crianças podem interagir e reforçar conceitos de respeito, colaboração e cooperação, não só no trânsito. “As plaquinhas de sinalização foram substituídas, na sua maioria, por placas com imagens que reforçam esses conceitos e atitudes de forma positiva. As crianças se organizam em pequenos grupos que fazem a leitura dessas imagens que devem ser compartilhadas com o grande grupo”, explica Karine.  De acordo com ela, a proposta inclui, ainda, um agente de trânsito, que faz a mediação e interfere quando necessário, acrescentando detalhes e exemplos às falas das crianças. Após a troca das informações, todos transitam a pé pelo espaço, circulando como pedestres. Uma volta pela quadra do bairro também tem o objetivo de mostrar aos alunos que no Espaço Vivencial o trânsito é perfeito, mas que na rua nem sempre é assim."  




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